Minha Amiga, Meu Amigo,
Desde a D23 de 2024, já sabíamos que uma Terra dos Vilões estava a caminho do Magic Kingdom. Naquele momento, porém, a Disney havia revelado muito pouco em termos de detalhes: sabíamos que a área existiria, mas não como essa história seria contada, quais vilões estariam presentes, quantas atrações teria e quais seriam essas atrações…
Foram dois anos de especulação, de arte conceitual analisada pixel por pixel e de rumores indo e vindo sobre o que essa expansão realmente seria.
Foi exatamente esse vazio de informações que a D23 de 2026 veio preencher. Não estamos falando da revelação da existência da Terra dos Vilões — isso já sabíamos —, mas de uma boa quantidade de detalhes concretos sobre um projeto quecjá está em obras há alguns meses.
Nesta edição, a Disney oficializou o nome da área, revelou parte do enredo que vai conectar tudo, deu pistas visuais sobre como será a transição de entrada na terra através da floresta, mostrou quais vilões devem habitar esse espaço, confirmou duas atrações âncora e ainda deixou uma pista bastante interessante sobre uma possível terceira experiência ligada à Cruella de Vil, que pode muito bem ser um restaurante temático.
O nome escolhido foi direto e sem rodeios: Terra dos Vilões. Segundo Bruce Vaughn, presidente e diretor criativo executivo da Walt Disney Imagineering, “às vezes o nome óbvio é o certo” — e, olhando para a simplicidade de nomes como Adventureland e Tomorrowland, faz todo sentido que a nova área siga essa mesma lógica direta, como um capítulo permanente da história do Magic Kingdom, e não apenas uma novidade passageira.
A escala do projeto também impressiona: a área terá um tamanho comparável ao de Star Wars: Galaxy’s Edge, confirma a expansão robusta prometida pela Disney, pensada para aumentar significativamente a capacidade do parque mais visitado do mundo. E, com as obras já em andamento, essa Terra dos Vilões deixou de ser uma promessa distante para se tornar um projeto tangível — atendendo, enfim, a um pedido que os fãs fazem há mais de trinta anos: uma área inteiramente dedicada aos vilões da Disney.
O enredo por trás da Terra dos Vilões
Uma das coisas que mais me encantou nesse anúncio foi a forma como a Disney decidiu contar essa história. Em vez de recriar cenas específicas dos filmes clássicos, como normalmente acontece em outras áreas do parque, a Imagineering criou uma narrativa completamente original, quase como uma linha do tempo alternativa para os vilões.
Tudo começa com um Poço dos Desejos, localizado no coração de uma floresta sombria e encantada. Há muito tempo, alguém fez um pedido tão maligno e poderoso que o poço se rachou. Dessa fenda escapou uma magia negra e envenenada, que se espalhou por toda a floresta, corrompendo o que antes seria uma versão tradicional da Fantasyland e transformando-a em algo obscuro e perigoso.
Essa magia corrompida funcionou como um farol, atraindo alguns dos vilões mais icônicos da animação Disney — entre eles Malévola, a Rainha Má, Cruella de Vil e Dr. Facilier — até aquele ponto do bosque. Encantados pelo poder residual daquela energia, cada um deles reivindicou um pedaço da floresta para si e usou a magia envenenada para conjurar o refúgio dos seus sonhos: palácios reluzentes, fortalezas imponentes e covis que refletem, cada um à sua maneira, o estilo, o humor e a personalidade “vilanesca” de quem os habita.
O mais interessante é que essa não é uma jornada de heróis. Aqui, ninguém vem salvar o dia. É justamente esse contraste — vilões em seu auge, no controle absoluto de seus próprios domínios — que torna a proposta tão diferente de tudo o que já vimos em outra área do parque.
Ao todo, treze vilões clássicos foram confirmados como inspiração para essa nova terra: Malévola, a Rainha Má, Úrsula, Hades, Jafar, Capitão Gancho, Cruella de Vil, Gaston, Mãe Gothel, Yzma, Lady Tremaine, a Rainha de Copas e Chernabog. Vale destacar a presença de Dr. Facilier, citado como um dos personagens que usaram a magia da floresta para erguer seu próprio covil.
Um mistério à parte é o que a Disney chamou de “camada” (ou “layer”) da Cruella. Glenn Close chegou a aparecer caracterizada durante a apresentação, o que gerou muita especulação sobre o que exatamente esse espaço será — um encontro com personagens em alto nível de produção, uma experiência imersiva dedicada à sua estética de moda ou até aquele tão pedido lounge temático de vilões que os fãs sonham há anos. Por enquanto, só podemos especular, mas fica claro que cada vilão terá seu espaço tratado com muito cuidado narrativo.
A floresta retorcida como portal de entrada
Antes mesmo de chegar às atrações principais, a experiência começa pela própria ambientação. A Terra dos Vilões terá dois estilos visuais bem distintos que conversam entre si: de um lado, construções elegantes e imaculadas, como o palácio da Rainha Má; do outro, ruínas escuras e desgastadas, como a fortaleza no topo da montanha de Malévola.
Essa floresta enfeitiçada — descrita como uma “Floresta de Silvas Encantada” — funciona como a transição natural entre o mundo “normal” do parque e o universo sombrio que os vilões construíram para si. A estética une o Art Nouveau do fim do século XIX, conhecido por suas linhas orgânicas e fluidas, com elementos de arquitetura medieval, muitas vezes representados por vitrais nas áreas de fila e nos pré-shows. Essa combinação cria um visual ao mesmo tempo bonito e inquietante, reforçando a ideia de que ali a magia foi corrompida, mas não perdeu sua sofisticação.
A referência artística mais citada é o trabalho do Disney Legend Eyvind Earle, responsável pelo estilo visual icônico do filme “A Bela Adormecida”, de 1959. Esse traço mais angular e dramático deve aparecer em diversos detalhes da paisagem, reforçando a atmosfera de “realismo cinematográfico” que a Imagineering está buscando para toda a área.
A montanha-russa da Malévola
Uma das atrações âncora da Terra dos Vilões é uma montanha-russa dedicada à Malévola, e ela promete ser o grande destaque da nova área. A proposta é simples de entender, mas emocionante na prática: os visitantes vão atravessar a Floresta de Silvas Encantada em direção à fortaleza no topo da montanha da vilã, tendo um encontro cara a cara com a própria Senhora de Todo o Mal.
O modelo físico em escala revelado pela Imagineering mostra uma paisagem montanhosa dramática, com rochedos irregulares e arcos em ruínas. As formações rochosas foram desenhadas intencionalmente com formas sinuosas, como se tivessem sido esculpidas pela própria magia maligna que envenenou a floresta. A fortaleza de Malévola usa perspectiva forçada para parecer ainda mais colossal do que realmente é por dentro, criando um marco visual que deve dominar o horizonte dessa parte do parque.
Um dos pontos mais comentados é justamente o nível de emoção que essa montanha-russa vai entregar. A Imagineering adiantou que a atração trará “elementos nunca antes tentados” em experiências semelhantes, o que abriu espaço para toda sorte de especulação — inclusive sobre a possibilidade de ser a primeira montanha-russa com inversão de todo o Magic Kingdom. Ao mesmo tempo, o modelo em escala mostrado ao público apresenta veículos tradicionais e fechados, equipados apenas com barra de colo simples, o que normalmente indica uma experiência sem loopings. Ou seja: ainda não há confirmação definitiva sobre esse ponto, e é bem possível que a emoção venha de outro lugar — como o próprio traçado da pista, desenhado para levar os visitantes por curvas fechadas e movimentos sinuosos entre as ruínas, simulando o fluir da “magia malévola” no ar.
Segundo Caroline May, diretora criativa executiva da Walt Disney Imagineering, “ela é uma das nossas vilãs mais populares. Também é uma das mais intimidadoras e intensas. Então ela é perfeita para uma montanha-russa de alta emoção.” Essa fala reforça que, independentemente dos detalhes técnicos finais, a intenção é entregar uma experiência realmente marcante.
E, claro, o grande momento esperado por todos é o encontro com a forma de dragão de Malévola. A arte conceitual reforça bastante essa ideia — a frente dos trens da montanha-russa já foi desenhada com o formato da cabeça do dragão, com olhos em tom verde-amarelado, o que praticamente confirma que veremos algum tipo de transformação durante o percurso. Há inclusive especulação de que a tecnologia usada para dar vida a esse animatrônico gigante possa ser semelhante à que a Disney já vem aplicando em outros projetos recentes de animatrônicos avançados. Se o resultado estiver à altura da ambição anunciada, essa pode se tornar uma das experiências mais impactantes já construídas no Magic Kingdom.
A atração do Espelho Mágico
A segunda atração âncora da Terra dos Vilões é um dark ride guiado pelo Espelho Mágico, e ela promete um tom bem diferente da montanha-russa: mais atmosférico, mais narrativo, com múltiplos vilões dividindo o protagonismo.
A entrada dessa atração fica nas catacumbas sob o palácio imaculado da Rainha Má. É ali que o Espelho Mágico assume o papel de narrador e guia, transportando os visitantes para o seu misterioso “Reino do Espelho” — um espaço etéreo onde uma grande variedade de vilões clássicos da Disney é conjurada por sua magia. Ainda não foi revelado exatamente quais vilões vão aparecer especificamente dentro dessa atração, mas é bastante provável que boa parte dos treze nomes confirmados para a área também tenha presença marcante aqui.
A experiência deve combinar efeitos especiais de última geração com cenários físicos construídos, unindo tecnologia e ambientação tradicional para dar vida a esses personagens e seus respectivos universos. Um detalhe que chamou atenção nas primeiras imagens conceituais foi o formato dos veículos, que lembram pequenos barcos. Ainda assim, a Disney fez questão de deixar claro que essa não é uma atração aquática — trata-se de um dark ride tradicional, “seco”. Essa escolha de veículo gerou bastante especulação entre fãs e especialistas, que acreditam que a atração pode usar tecnologia sem trilhos fixos ou um sistema parecido com o que já foi implementado em outras experiências recentes da Disney ao redor do mundo, capaz de criar movimentos mais fluidos e imprevisíveis ao longo do percurso.
O que mais podemos esperar
Além das duas atrações principais, há vários outros elementos que ajudam a dimensionar o tamanho dessa expansão. A Terra dos Vilões deve contar com experiências gastronômicas e lojas totalmente integradas à ambientação da área, seguindo a mesma lógica imersiva que vimos em outras grandes expansões recentes da Disney.
Do ponto de vista do horizonte do parque, a chegada da fortaleza de Malévola cria uma nova referência visual ao lado de outros marcos já consolidados do Magic Kingdom, como a Space Mountain, a Big Thunder Mountain e a Tiana’s Bayou Adventure. Some a isso a expansão simultânea de Piston Peak, na área de Cars, e fica claro que o parque está entrando em uma nova fase de crescimento vertical e temático, com diferentes “montanhas” disputando espaço no céu de Orlando.
As projeções atuais, com base nos planejamentos e licenças já conhecidos, apontam para uma abertura por volta de 2030. Mas o mais importante aqui é que isso não é mais um projeto em fase de “Blue Sky”: as obras da Terra dos Vilões já começaram há alguns meses, o que muda completamente o tom da conversa. Não estamos mais especulando se o projeto vai sair do papel — estamos acompanhando, literalmente, ele ganhar forma. Vale lembrar também que a proposta narrativa de Malévola como uma coaster de alta emoção tem raízes em um projeto que nunca saiu do papel nos anos 1990, pensado originalmente para uma expansão que nunca foi construída no Animal Kingdom. Ou seja, de certa forma, a Terra dos Vilões está resgatando e finalmente concretizando uma ideia que a Imagineering guardava há décadas.
E não posso deixar de voltar à “camada” da Cruella de Vil, porque ela pode ser a peça que ainda falta nesse quebra-cabeça. Embora a Disney não tenha confirmado oficialmente uma terceira atração, a forma como esse espaço foi tratado durante a apresentação — com Glenn Close aparecendo caracterizada e a escolha deliberada do termo “camada” em vez de simplesmente “atração” — abre margem para uma experiência gastronômica temática, algo como um restaurante que traduza o estilo, o glamour e o exagero da vilã em cada detalhe do ambiente. Se isso se confirmar, a Terra dos Vilões pode muito bem ter três experiências marcantes em vez de duas, além de toda a estrutura de lojas e alimentação que já está prevista para a área.
Conclusão
Minha Amiga, Meu Amigo, é raro vermos um projeto amadurecer tão rápido quanto este. Em 2024 tivemos a promessa; em 2026, ganhamos o enredo, a ambientação, os vilões, duas atrações confirmadas, a pista de uma possível terceira experiência e — o mais empolgante de tudo — a certeza de que isso já está saindo do papel, com obras em andamento há alguns meses. A Terra dos Vilões não é apenas mais uma área temática — ela representa uma mudança na forma como o Magic Kingdom conta suas histórias, colocando os vilões no centro do palco, em seu momento de maior poder, sem a interferência de nenhum herói.
Ainda faltam anos até vermos essa terra pronta, e muitos detalhes técnicos — como o nível real de emoção da montanha-russa de Malévola ou a tecnologia exata por trás do Reino do Espelho — só serão confirmados mais à frente. Mas o caminho já está sendo construído, literalmente, e a base narrativa é sólida o suficiente para nos deixar bastante animados com o que vem por aí.
E você, já sabe qual covil pretende visitar primeiro quando a Terra dos Vilões finalmente abrir as portas?


