Disney e Universal: os parques mais visitados em 2025

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Minha Amiga, Meu Amigo,

Todo ano eu espero o relatório da TEA (Themed Entertainment Association) com a mesma curiosidade, porque é nele que a indústria de parques sai do campo das impressões e entra no campo dos números. O TEA Global Experience Index 2025, 20ª edição do estudo, foi divulgado em outubro de 2026, quase dez meses depois do fim do ano que ele mede. O estudo reúne dados fornecidos por operadores e outras fontes, além de estimativas quando necessário. A TEA não atribui expressamente a demora a esse processo. Por isso, prefiro olhar para tendências, não para o último dígito.

Vale lembrar: o relatório mede attendance, ou seja, visitas registradas, e não pessoas diferentes nem dinheiro. Quem visita o Magic Kingdom num dia e o EPCOT no outro entra duas vezes na conta, e visita não é receita nem lucro.

Em 2025, o cenário mundial ficou praticamente estável: o Top 25 de parques temáticos somou 245,4 milhões de visitas, contra 245,9 milhões em 2024, uma variação de -0,2%. Em Orlando, o Epic Universe movimentou o mercado; no Brasil, os parques aquáticos se destacaram.

Tea Global Experience Index Report 2025

Panorama mundial

Os dois maiores mercados dos Estados Unidos continuam enormes. Os nove principais parques da Flórida somaram 79,6 milhões de visitas, e os seis principais da Califórnia, 47,0 milhões.

A Disney manteve a liderança global, enquanto a Universal subiu para o terceiro lugar:

Pos.Operador2024 (mi)2025 (mi)Variação
1ºDisney Experiences145,20146,83+1,1%
2ºFantawild Group87,1785,02-2,5%
3ºUniversal Destinations & Experiences58,9862,14+5,4%
4ºMerlin Entertainments62,8060,50-3,7%
5ºSix Flags Entertainment Corp.50,3047,39-5,8%
6ºChimelong Group39,3740,39+2,6%
7ºOCT Group41,1039,36-4,2%
8ºHaichang Group22,5922,72+0,6%
9ºUnited Parks & Resorts22,9521,20-7,6%
10ºHerschendn/d20,00estreia

Visitas em milhões. Fonte: TEA/ECA, The Park Database. Os totais de cada operador somam todos os seus parques no mundo.

Apenas quatro dos nove operadores presentes nos dois anos cresceram: Disney, Universal, Chimelong e Haichang. A Universal ultrapassou a Merlin, mas seus números incluem operações internacionais, não apenas Orlando. A Six Flags caiu 5,8% no primeiro ano completo após a fusão com a Cedar Fair; a Herschend, dona de Dollywood e Silver Dollar City, entrou no Top 10 no lugar da Parques Reunidos. Quatro dos dez maiores grupos são chineses.

No ranking de parques, o topo é bem conhecido:

Pos.ParqueLocal20242025Variação
1ºMagic KingdomOrlando17.836.00017.800.000-0,2%
2ºDisneyland ParkAnaheim17.337.00017.406.000+0,4%
3ºUniversal Studios JapanOsaka16.000.00016.040.000+0,2%
4ºTokyo DisneylandUrayasu15.104.00015.200.000+0,6%
5ºShanghai DisneylandXangai14.700.00014.994.000+2,0%
6ºChimelong Ocean KingdomHengqin12.628.00012.666.000+0,3%
7ºTokyo DisneySeaUrayasu12.441.00012.600.000+1,3%
8ºEPCOTOrlando12.133.00012.109.000-0,2%
9ºDisneyland Park ParisMarne-la-Vallée10.214.00010.800.000+5,7%
10ºDisney’s Hollywood StudiosOrlando10.333.00010.312.000-0,2%

O Magic Kingdom continua sendo o parque mais visitado do mundo. A maior mudança do Top 10 foi em Paris: o Disneyland Park cresceu 5,7%, passou o Hollywood Studios e foi para o 9º lugar, e o Walt Disney Studios Park teve a mesma alta, chegando a 5,919 milhões. O relatório explica que o resort francês estava se recuperando de um 2024 afetado pelas Olimpíadas de Paris.

A Disney em 2025

A Disney Experiences somou 146,8 milhões de visitas, alta de 1,1%. O relatório destaca que, nos parques dos Estados Unidos, o público ficou essencialmente estável, enquanto o segmento reportou resultado operacional recorde. Também lembra que a Disney tem seis dos dez parques mais visitados da América do Norte. A TEA destaca alimentação, produtos, experiências premium, hospedagem e expansão da Disney Cruise Line, com oito navios em operação e mais cinco previstos até o fim de 2030.

Nos quatro parques do Walt Disney World, cada um variou -0,2%: Magic Kingdom com 17,8 milhões, EPCOT com 12,109 milhões, Hollywood Studios com 10,312 milhões e Animal Kingdom com 8,782 milhões, que é o 15º do mundo. Somando os quatro, chego a cerca de 49,0 milhões de visitas, praticamente igual a 2024 (conta minha, a partir dos números do relatório). Para mim, o resultado indica estabilidade, sem justificar conclusões baseadas em décimos percentuais.

Fora de Orlando, o Disneyland Resort cresceu 0,4% nos dois parques (17,406 milhões no Disneyland Park e 10,090 milhões no Disney California Adventure), Shanghai Disneyland subiu 2,0% e o Tokyo DisneySea, 1,3%, com o relatório atribuindo o resultado ao primeiro ano completo da área Fantasy Springs. A exceção foi a Hong Kong Disneyland, que caiu 3,0%, para 7,7 milhões. Duas notas para quem acompanha a Disney: o Walt Disney Studios Park foi renomeado Disney Adventure World em março de 2026, com a abertura de World of Frozen, e a Disney e a Miral anunciaram, em maio de 2025, um novo resort de parques em Yas Island, em Abu Dhabi, o primeiro da empresa no Oriente Médio.

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Universal e Epic Universe

O Universal Epic Universe abriu em 22 de maio de 2025, o primeiro grande parque construído em Orlando em mais de 25 anos e o quarto portão do Universal Orlando Resort. Tem cinco áreas: Celestial Park, SUPER NINTENDO WORLD, The Wizarding World of Harry Potter – Ministry of Magic, How to Train Your Dragon – Isle of Berk e Dark Universe. Em cerca de sete meses de operação, registrou 4,0 milhões de visitas, o 13º lugar da América do Norte. É um ano incompleto, e por isso não se compara de forma direta com parques que abriram os doze meses.

Os dois parques mais antigos da Universal em Orlando recuaram: o Universal Studios Florida registrou 9,3 milhões de visitas (-2,1%) e o Universal’s Islands of Adventure, 9,2 milhões (-2,6%), cerca de 450 mil a menos juntos. Somando o Epic Universe, os três parques passaram de 18,95 para 22,5 milhões de visitas, um acréscimo líquido de aproximadamente 3,5 milhões.

A TEA lê esse movimento como sinal de que o novo portão funciona como parte de uma estratégia de resort mais ampla, ampliando a presença da Universal no destino e as oportunidades de ingressos de vários dias, hospedagem e alimentação. Os números mostram a queda dos parques antigos, mas não revelam de onde vieram os visitantes do Epic, nem quanto gastaram.

Fora da Flórida, o Universal Studios Hollywood caiu 8,0%, para 8,0 milhões, o que a TEA associa aos incêndios em Los Angeles. O Universal Studios Japan fechou com 16,04 milhões (+0,2%), com o relatório citando a área Donkey Kong Country e a Expo 2025 Osaka, que ficava perto do parque, como possíveis apoios. E o Universal Studios Singapore cresceu 7,5%, com a abertura de Minion Land.

Orlando: Disney × Universal × SeaWorld

Esta é a tabela dos parques temáticos de Orlando:

OperadoraParque20242025VariaçãoPos. Am. do Norte
DisneyMagic Kingdom17.836.00017.800.000-0,2%1º
DisneyEPCOT12.133.00012.109.000-0,2%3º
DisneyDisney’s Hollywood Studios10.333.00010.312.000-0,2%4º
DisneyDisney’s Animal Kingdom8.800.0008.782.000-0,2%8º
UniversalUniversal Studios Florida9.500.0009.300.000-2,1%6º
UniversalUniversal’s Islands of Adventure9.450.0009.200.000-2,6%7º
UniversalUniversal Epic Universen/d4.000.000estreia13º
United ParksSeaWorld Orlando4.347.0004.335.000-0,3%10º

A TEA registra crescimento de 4,3% nos nove principais parques da Flórida, incluindo Busch Gardens Tampa Bay, contra aumento de 1,8% no número de turistas informado pela Visit Orlando. São medidas diferentes: mais visitas aos parques não significam necessariamente mais turistas. O relatório aponta turismo doméstico forte e dificuldades no mercado internacional, especialmente o canadense.

O Epic operou apenas parte do ano. No Top 20 norte-americano (+1,5%), os outros 19 parques, excluído o Epic, teriam queda combinada de aproximadamente 1,3% (cálculo a partir da tabela). Em Orlando, os parques existentes ficaram estáveis ou recuaram ligeiramente.

Nos oito parques da tabela, a Disney passou de aproximadamente 67,8% para 64,6% das visitas; a Universal, de 26,2% para 29,7%; e o SeaWorld Orlando, de 6,0% para 5,7% (cálculos próprios, sem anualizar o Epic). A Disney permanece líder, e a Universal ganhou participação na soma de visitas. Isso não comprova transferência de visitantes da Disney para a Universal: a entrada de um novo parque também altera a base de comparação.

Nos parques aquáticos, Orlando tem quatro dos cinco mais visitados da América do Norte. O Typhoon Lagoon lidera, com 1,762 milhão (-3,0%), seguido pelo Volcano Bay, com 1,6 milhão (-3,0%), pelo Aquatica Orlando, com 1,4 milhão (-2,4%), e pelo Blizzard Beach, com 1,35 milhão. O Blizzard Beach saltou 50,5% porque, no verão de 2025, o Walt Disney World voltou a abrir os dois parques aquáticos ao mesmo tempo, algo que não acontecia desde 2019, e não por causa de uma atração nova. Somados, os dois parques aquáticos da Disney passaram de 2,714 para 3,112 milhões de visitas (conta minha).

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Brasil e América Latina

O Brasil se destacou: Beto Carrero World liderou os parques temáticos latino-americanos com 2,9 milhões de visitas (+16%), enquanto Hopi Hari ficou em quarto, com 1,45 milhão (+11,9%). Três parques aquáticos brasileiros estão no Top 20 mundial.

ParqueLocal2025VariaçãoPosição
Beto Carrero WorldPenha/SC2,9 milhões+16,0%1º da América Latina
Hopi HariVinhedo/SP1,45 milhão+11,9%4º da América Latina
Thermas dos LaranjaisOlímpia/SP1,95 milhão+5,4%3º aquático do mundo (empate)
Hot Park Rio QuenteRio Quente/GO1,475 milhão+3,4%11º aquático do mundo
Hot BeachOlímpia/SP1,336 milhão+19,1%14º aquático do mundo
Beach ParkAquiraz/CE990 mil+16,5%6º aquático da América Latina

O Thermas dos Laranjais empatou com o Therme Erding em terceiro lugar mundial, atrás do Chimelong Water Park (2,563 milhões) e do Aquaventure World de Dubai (2 milhões). Hot Beach e Beach Park tiveram altas expressivas; este último inaugurou o Surreal, apresentado como o Master Blaster mais alto do mundo, em março de 2025.

Os investimentos anunciados também chamam atenção: R$ 2 bilhões no Beto Carrero World, incluindo Trolls, NERF e um hotel; R$ 280 milhões no Hopi Hari até 2028; mais de R$ 300 milhões no plano de 15 anos do Thermas dos Laranjais, incluindo tobogã de R$ 60 milhões previsto para 2026; e mais de R$ 530 milhões no Hot Beach até 2031. O Cacau Park, em Itu, prevê abertura em 2027, com investimento superior a € 300 milhões.

Fora do Brasil, a Colômbia superou 10 milhões de visitantes internacionais pela primeira vez, e o Parque Mundo Aventura e o Parque del Café cresceram 3,5% cada.

Tendências e conclusão

Fora das Américas, o ano teve ventos contrários. Na Coreia do Sul, o Everland caiu 15,6% e o Lotte World, 4,6%, com o relatório citando clima extremo e a queda da população em idade escolar. Na Ásia-Pacífico, o público dos parques temáticos recuou 1,2%, e a Fantawild, que abriu parques novos, registrou queda de 2,5%. Na Europa, além de Paris, o Alton Towers cresceu 13%, o Puy du Fou España passou de 20% e o Europa-Park ultrapassou 7 milhões de visitantes no resort pela primeira vez. Nos Estados Unidos, o Dollywood subiu 8,1%, enquanto todos os parques da Six Flags e da Cedar Fair na lista caíram, e a empresa fechou em 2026 um acordo para vender sete parques à EPR Properties. Entre os parques aquáticos, o público do Top 20 mundial cresceu 1,7%, para 31,2 milhões de visitas.

A novidade desta edição é a inclusão do setor de cruzeiros, com 37,2 milhões de passageiros em 2025 (+7,5%). Passageiros não equivalem a visitas de parque; a inclusão reconhece a disputa pelo tempo de lazer das famílias, especialmente na Flórida e no Caribe.

Minha leitura é que o setor aposta cada vez mais em destinos completos, com hotéis, alimentação, experiências pagas e cruzeiros. A Disney manteve o público praticamente estável em Orlando e, segundo a TEA, registrou resultado operacional recorde; a Universal ampliou as visitas com um novo parque. Como o Epic Universe operou menos de oito meses, será preciso observar um ano completo para compreender melhor o novo equilíbrio de Orlando. Até lá, prefiro não tirar conclusões maiores do que os números permitem.

Fontes: TEA Global Experience Index 2025 (TEA, ECA, The Park Database); Visit Orlando, conforme citado no relatório.

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